As orações podem ser, do ponto de vista sintático, independentes (completas) ou dependentes (incompletas).

Entendamos o primeiro caso.

Observe:

O professor viajou, mas já retornou.

Atente-se a que, neste período composto por duas orações, a primeira oração já está completa sintaticamente, apresentando sujeito (O professor) e predicado (viajou); de modo que a segunda oração NÃO DESEMPENHA NENHUM COMPLEMENTO SINTÁTICO da primeira. Dizemos, assim, que esse período é composto por coordenação, e AS ORAÇÕES SÃO COORDENADAS. Como a primeira oração NÃO APRESENTA SÍNDETO (conjunção), chamamo-la de ASSINDÉTICA, ao passo que chamamos a segunda de SINDÉTICA, já que APRESENTA SÍNDETO (conjunção).

Assim, considerando o período composto, temos

Oração coordenada assindética: O professor viajou

Oração coordenada sindética: mas já retornou

Mais exemplos de coordenadas assindéticas e sindéticas (as conjunções estão destacadas para facilitar a compreensão das sindéticas).

  • Os alunos acordaram cedo e começaram a estudar.
  • Levantou cedo para estudar, mas foi assistir a filmes.
  • Somos estudiosos, todavia não gostamos de matemática.
  • Você vai mesmo à viagem ou posso desmarcá-la.
  • “Beba, pois a água viva ainda está na fonte”.
  • Vou contar só mais uma história, que já está na hora de dormir.
  • “Penso, logo existo”.
  • Estudou muito, por isso conseguirá um bom resultado.
  • Seus pais fazem tudo por você; seja-lhes grato, pois.
  • “O ladrão pegou a chave, abriu o baú, revirou a roupa, achou o dinheiro.” (R. de Queiroz)
  • O dia está agradável, logo devemos aproveitá-lo.
  • Ele não levou a lista, então não fará as compras.
  • Ele não entendeu ou não gostou do filme.
  • Ninguém ali me queria, eu não queria a ninguém.
  • Os jogadores, no seu conjunto, não só exibiam excelente técnica, mas também um preparo físico surpreendente para os europeus.

Agora observe estas:

O professor viajou.

Meus amigos disseram que o professor viajou.  

No primeiro caso (período simples), a oração está completa, apresentando sujeito e predicado.

Sujeito: o professor

Predicado: viajou

No segundo caso, o predicado ficaria incompleto se faltasse o termo que o professor viajou. Assim, temos:

Sujeito: meus amigos

Predicado: disseram que o professor viajou

Objeto direto: que o professor viajou

Observe que o termo que o professor viajou é uma parte do predicado; sem ele, o predicado ficaria incompleto. Quando a oração é complemento de um termo, a gramática a chama de subordinada. Note ainda que na subordinação há uma hierarquia, em que uma das orações, chamada de principal, é a base da outra [a subordinada].

Assim:

Oração principal: meus amigos disseram.

Oração subordinada: que o professor viajou.

A função das subordinadas.

Dizer que as orações coordenadas têm sentido completo e que as subordinadas têm sentido incompleto é algo vago, mesmo para quem está iniciando os estudos gramaticais. Essa classificação tem, sim, a ver com os sentidos, mas não é a noção semântica – pelo menos não somente ela – que está na base da distinção entre coordenação e subordinação.

Para que não tenha tanta dificuldade quando se deparar com uma situação atípica, recomendo que fique mais apegado/a à questão sintática. Assim, o conceito que apresento é: ORAÇÕES COORDENADAS NÃO EXERCEM FUNÇÃO SINTÁTICA DE OUTRA ORAÇÃO; ORAÇÕES SUBORDINADAS EXERCEM FUNÇÃO SINTÁTICA EM RELAÇÃO A OUTRA, QUE É CHAMADA DE PRINCIPAL.

Para entender melhor as funções sintáticas.  

  1. É imprescindível o hábito da leitura. (sujeito)
  2. O importante é o bem-estar das pessoas. (predicativo do sujeito)
  3. O professor pediu silêncio. (objeto direto)
  4. O professor precisa da atenção de todos. (objeto indireto)
  5. Temos necessidade da ajuda da população. (complemento nominal)
  6. Eu desejo uma coisa: sua felicidade. (aposto)
  7. Os alunos estudiosos foram aprovados. (adjunto adnominal)
  8. O rapaz sempre estuda à noite. (adjunto adverbial)

Repare que temos aqui casos de períodos simples (uma só oração). É possível, porém, que tenhamos períodos compostos em tais estruturas. Olhe e entenda:

  1. É imprescindível que tenhamos o hábito da leitura. (sujeito)
  2. O importante é que as pessoas estejam bem. (predicativo do sujeito)
  3. O professor pediu que fizessem silêncio. (objeto direto)
  4. O professor precisa (de) que todos prestem atenção. (objeto indireto)
  5. Temos necessidade de que a população ajude. (complemento nominal)
  6. Eu desejo uma coisa: (que) seja feliz. (aposto)
  7. Os alunos que estudaram foram aprovados. (adjunto adnominal)
  8. O rapaz sempre estuda assim que chega a sua casa. (adjunto adverbial)

As funções sintáticas são as mesmas, porém não são mais somente termos simples, agora são orações, já que apresentam verbos. Essas orações são, do ponto de vista sintático, subordinadas.

Se você espiar direitinho (não estou pedindo para expiar seus pecados agora) no bloco dos períodos simples, vai perceber que hábito, bem-estar, silêncio, atenção, ajuda e felicidade são substantivos. Logo, AS ORAÇÕES QUE DESEMPENHAM FUNÇÃO SINTÁTICA DE SUJEITO, PREDICATIVO DO SUJEITO, OBJETO DIRETO, OBJETO INDIRETO, COMPLEMENTO NOMINAL E APOSTO SÃO CHAMADAS DE ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS.

No exemplo 7, estudiosos é um adjetivo e que estudam desempenham essa mesma função adjetiva – ambos os termos com a função sintática de adjunto adnominal. Assim, AS ORAÇÕES QUE DESEMPENHAM FUNÇÃO SINTÁTICA DE ADJUNTO ADNOMINAL SÃO CHAMADAS DE ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS.

No exemplo 8, à noite e assim que chega a sua casa têm função de adjunto adverbial, mas somente no segundo caso, temos oração. Portanto, AS ORAÇÕES QUE DESEMPENHAM FUNÇÃO SINTÁTICA DE ADJUNTO ADVERBIAL SÃO CHAMADAS DE ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS.