Se você já se perguntou para que estudar sujeito, leia isto; se não se perguntou, leia também. 

A primeira coisa a se entender é que podemos até conceituar o sujeito, mas não é tão simples defini-lo. (Aqui, entendemos conceito como algo inacabado, em aberto, que precisa ser compreendido dentro de um contexto; e definição como algo mais fechado, acabado).

O primeiro conceito a ser (re)visitado é o de que “o sujeito é o ser que pratica a ação”. Isso se aplica, sim, a muitos casos (O menino foi para a escola. Meu pai vendeu o nosso carro). No entanto, apenas isso não define o que é um sujeito, visto que tal concepção só se aplica a casos (que são maioria) em que o verbo (aqui, foi e vendeu) se encontra na voz ativa, deixando o sujeito ativo, também chamado de agente. 

Porém, há construções em que se prefere enfatizar não o ser que pratica a ação, mas a ação em si, deixando o agente em segundo plano. Quando isso acontece, dizemos que a construção está na voz passiva, porque o verbo coloca o sujeito não mais como praticante da ação, e sim como sofredor dela. Esse tipo de sujeito é chamado de passivo ou paciente. Assim, quando falamos que Nosso carro foi vendido por meu pai, o sujeito [Nosso carro] é o ser que sofre a ação, enquanto o praticante [meu pai] é o agente, chamado de agente da passiva. 

EM SÍNTESE: Verbo na voz ativa – sujeito pratica a ação; Verbo na voz passiva – sujeito sofre a ação, e quem a pratica é o agente da passiva. 

Então você já deve ter observado que as construções passivas ocorrem quando se quer – por diversos motivos – enfatizar a ação em si, e não o seu agente, tanto que esse agente pode ser omitido. 

Há duas formas de construções passivas. Para entender melhor, vamos principiar por uma construção ativa. 

Hoje Renato vendeu mais de 50 carros em nossa concessionária. 

ANALISANDO SINTATICAMENTE: 
  • Hoje: adjunto adverbial
  • em nossa concessionária: adjunto adverbial; 
  • Renato: sujeito agente; 
  • vendeu: verbo transitivo direto; 
  • mais de 50 carros: objeto direto.

 Se eu quisesse enfatizar a ação em si, a construção seria: 

Hoje, em nossa concessionária, mais de 50 carros foram vendidos por Renato. 

Agora imagine que o subgerente da loja vai conversar com o gerente e vai dar-lhe essa informação, porém não lhes interessa quem vendeu os carros, apenas quantidade de carros que foi vendida na concessionária no corrente dia. 

Ele poderia: 

apenas omitir o sujeito         

Hoje, em nossa concessionária, mais de 50 carros foram vendidos. 

ou fazer numa segunda construção

Hoje, em nossa concessionária, venderam-se mais de 50 carros. 

 Esta é a razão por que, na norma-padrão da língua portuguesa, a construção adequada é Venderam-se mais de 50 carros e não Vendeu-se mais de 50 carros: O sujeito é, em ambas as construções, ‘mais de 50 carros’, com o qual o verbo deve concordar, atendendo o princípio da concordância verbal – o verbo deve concordar com o sujeito em número (singular e plural) e em pessoa (1ª, 2ª e 3ª). 

Uma construção passiva com a locução verbal (carros foram vendidos) é chamada de passiva analítica. Uma construção passiva com o verbo na 3ª pessoa  unido à partícula “se” (pronome apassivador ou partícula apassivadora) é chamada de passiva sintética

Observe que O SUJEITO DA VOZ PASSIVA É O OBJETO DIRETO DA VOZ ATIVA. 

Anote isto: SOMENTE VERBO TRANSITIVO DIRETO ADMITE VOZ PASSIVA. A exceção vai para os transitivos indiretos obedecer e desobedecer

Entenda melhor:  numa construção como Venderam-se mais de 50 carros, o sujeito é mais de 50 carros, o qual concorda com o verbo [venderam], que é transitivo direto, motivo pelo qual o se é apassivador, e a construção está na voz passiva sintética. Porém numa construção como Precisou-se de mais de 50 carros, o termo mais de 50 carros não pode ser sujeito – e, portanto, não concorda com o verbo -, porque não é objeto direto na voz ativa. Assim: a construção não está na voz passiva, o se não é apassivador e sim indeterminador do sujeito e de mais de 50 carros é objeto indireto, que não concorda com o verbo. 

Desse modo, dizemos

  • Vendem-de casas. (Casas são vendidas).
  • Alugaram-se apartamentos. (Apartamentos são alugados).
  • Fazem-se fretes. (Fretes são feitos).
  • Consertaram-se as roupas. (As roupas foram consertadas).
  • Não se fazem mais carros como antes. (Carros não são mais feitos como antes).

Temos aqui sujeitos explícitos. 

Mas…

  • Precisa-se de casas.
  • Gosta-se de apartamentos.
  • Vive-se bem aqui. 

Temos aqui sujeitos indeterminados.

Então o que realmente é o sujeito e como identificá-lo? 

Vimos, nesta primeira parte, que o sujeito pode, sim, ser o praticante ou o sofredor da ação verbal, mas não é só isso. 

Continua…

 Abraço!